Flamengo tenta reverter eliminação na Libertadores: veja casos em que a Conmebol mudou resultados

O Flamengo tenta mudar nos tribunais o desfecho da semifinal da Libertadores de 2026, contra o Estudiantes, após contestar a escalação do zagueiro Marcos Rojo. A iniciativa tem precedentes na história da competição: em 2018, a Conmebol alterou o resultado de uma partida do Santos por considerar irregular a utilização do meia Carlos Sánchez. Na mesma temporada, porém, denúncias envolvendo River Plate e Boca Juniors tiveram resultados diferentes. O principal argumento do clube carioca é o artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol, que prevê derrota por 3 a 0 para a equipe considerada responsável por escalar um jogador irregularmente. O Flamengo pede a aplicação da punição ao Estudiantes, que venceu a disputa por pênaltis após empate sem gols no tempo regulamentar, no Maracanã. O caso, no entanto, tem uma particularidade: Rojo entrou em campo após obter autorização provisória da Corte Arbitral do Esporte (CAS), embora a Conmebol tivesse rejeitado anteriormente seu pedido de inscrição. A decisão definitiva sobre eventuais consequências esportivas ainda cabe às instâncias competentes. O precedente mais direto para o pedido do Flamengo aconteceu nas oitavas de final da Libertadores de 2018. Na partida de ida, o Santos empatou por 0 a 0 com o Independiente, na Argentina. No dia seguinte, o clube argentino apresentou uma reclamação à Conmebol por causa da escalação de Carlos Sánchez. O meia uruguaio tinha uma suspensão pendente de uma partida em competições organizadas pela entidade sul-americana. A punição original havia sido aplicada em 2015, quando ele defendia o River Plate, após uma expulsão na Copa Sul-Americana. Uma anistia concedida pela Conmebol em 2016 reduziu a pena, mas Sánchez ainda precisava cumprir um jogo de suspensão. Em 28 de agosto de 2018, a entidade acolheu a reclamação do Independiente e transformou o empate em uma vitória argentina por 3 a 0. A decisão se baseou na regra que prevê a alteração do resultado em casos de escalação indevida. O Santos tentou reverter a punição, mas não conseguiu evitar a eliminação. No jogo de volta, disputado no Pacaembu, as equipes empataram novamente sem gols, resultado que classificou o Independiente. O episódio demonstra que a Conmebol já aplicou a perda de pontos e a alteração do placar por escalação irregular em uma partida da Libertadores. A existência desse precedente, contudo, não garante que o pedido do Flamengo terá o mesmo resultado. Também em 2018, o River Plate utilizou o volante Bruno Zuculini em partidas da Libertadores, apesar de o jogador ter uma suspensão pendente. O caso veio à tona depois que o meio-campista participou de jogos da fase de grupos, inclusive contra o Flamengo. Zuculini havia sido expulso em 2013, quando atuava pelo Racing, e recebeu uma punição que foi posteriormente reduzida por anistia. Ainda assim, precisava cumprir dois jogos de suspensão. A diferença em relação ao episódio do Santos foi que o River consultou oficialmente a Conmebol sobre a situação do atleta e recebeu a informação de que não havia impedimento para escalá-lo. Posteriormente, a entidade reconheceu um erro administrativo e decidiu não punir o clube argentino. O Racing contestou a decisão, mas a Conmebol rejeitou o pedido de reconsideração. Zuculini precisou cumprir os jogos de suspensão restantes, sem que os resultados anteriores do River fossem alterados. O episódio mostra que a análise de uma possível irregularidade também pode considerar a orientação fornecida pela própria organização da competição. Outro caso da mesma temporada envolveu o atacante Ramón Ábila, do Boca Juniors. O jogador tinha uma suspensão pendente decorrente de uma expulsão na Copa Sul-Americana de 2015, quando defendia o Huracán. Apesar disso, Ábila disputou partidas da Libertadores de 2018 pelo Boca. O Libertad, do Paraguai, adversário eliminado pelos argentinos nas oitavas de final, questionou a situação do atacante e pediu esclarecimentos à Conmebol. A reclamação, porém, foi apresentada semanas depois dos confrontos. O regulamento previa prazo de até 24 horas após a partida para contestar uma escalação irregular. Por isso, não houve punição esportiva ao Boca nem alteração dos resultados dos jogos. A tentativa do Flamengo apresenta semelhanças com o episódio do Santos, mas também possui uma particularidade jurídica relevante. Antes da semifinal de 2026, a Conmebol rejeitou o pedido do Estudiantes para inscrever Rojo na lista da Libertadores, após consultar a Fifa. O clube argentino recorreu ao CAS e obteve autorização provisória para utilizar o defensor contra o time brasileiro. A decisão permitiu que o jogador entrasse em campo, mas não afastou eventuais consequências esportivas e disciplinares de uma decisão definitiva desfavorável ao Estudiantes. Segundo o Flamengo, o clube argentino foi informado previamente de que a escalação seria contestada. Após a eliminação nos pênaltis, o Rubro-Negro apresentou uma reclamação formal à Conmebol e pediu que o caso fosse analisado antes da final. O clube sustenta que a autorização provisória do CAS não elimina a necessidade de observar as regras de inscrição da competição. Até que haja uma decisão definitiva, o Estudiantes permanece classificado para a final da Libertadores de 2026, contra o Palmeiras.


