Homem condenado nos EUA fraudou streaming com robôs e músicas de IA

Um estadunidense de 54 anos foi condenado em um julgamento realizado nesta terça-feira (6) por enganar plataformas de streaming com músicas e ferramentas criadas por inteligência artificial (IA). Esse é o primeiro caso no país envolvendo esse tipo de atividade que termina com uma pena ao réu. Preso em 2024, o homem se declarou culpado em março deste ano de explorar brechas em serviços como Amazon Music, Apple Music, Spotify e YouTube Music. Porém, ele tentou através dos advogados evitar qualquer penalidade ao alegar que a prática ilegal não prejudicou artistas de verdade ou a comunidade. Morador do estado da Carolina do Norte, Michael Smith terá que passar 18 meses na prisão, além de dois anos em liberdade supervisionada. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, ele ainda foi condenado a pagar cerca de US$ 8 milhões (cerca de R$ 40 milhões) em indenização, valor similar ao que ele obteve com o crime. O golpe de Smith envolvia uma série ações criminosas que, juntas, renderam a ele uma fortuna em royalties — o pagamento de receita compartilhada feito pelas próprias plataformas aos artistas, caso eles atinjam determinadas quantidades de reproduções. Na primeira etapa, ele criou uma série de contas fantasma de usuários controlados por um computador, configuradas para ouvir músicas sem parar nesses serviços usando dados roubados (incluindo e-mails e cartões de crédito); Em seguida, ele usou esses robôs para escutar somente canções que ele mesmo subiu nas plataformas, todas criadas por IA. Em ações executadas entre 2017 e 2024, o homem programou até 10 mil bots para agir de forma coordenada e estratégica, com um comportamento que não levantasse suspeitas de esquemas de segurança das plataformas. Juntos, os vários artistas falsos superam até mesmo celebridades como Taylor Swift em milhões de plays. O catálogo falso do acusado chegou a bilhões de reproduções e era composto de “centenas de milhares” de faixas artificiais. Em alguns casos, ele utilizou contas familiares para multiplicar os números. Atualmente, a relação entre serviços de streaming de música e criadores de faixas com IA é controverso. O Spotify tem um acordo específico com uma gravadora e agora exige um selo de identificação para artistas artificiais, enquanto o Deezer criou um detector desse tipo de música e alega que a situação do mercado é ainda pior em quantidade de canções falsas e a percepção do público sobre elas. Recentemente, uma invasão confirmou que uma IA que gera músicas estava copiando materiais com direitos autorais. Saiba mais sobre o caso nesta matéria!

