Lamacchia no Vasco: veja os aportes iniciais de outras SAFs

A proposta do empresário Marcos Lamacchia foi declarada vencedora do processo competitivo pela aquisição de 90% da SAF do Vasco. A definição aconteceu na tarde da última sexta-feira (25), em audiência realizada na 4ª Vara Empresarial, no Centro do Rio de Janeiro. Considerando todas as obrigações previstas na operação, o negócio envolve valores na casa dos R$ 3 bilhões. O montante inclui investimentos no futebol e na estrutura do clube, além de compromissos relacionados a dívidas e ao funcionamento. Como opera em recuperação judicial, o Cruz-Maltino teve de abrir as ações em leilão. A empresa de Lamacchia, a Almirante Participações, que foi representada pelo sócio Mário Junqueira e pelo advogado André Sica, havia sido listada como "stalking horse bidder" por ter sido a primeira a formalizar proposta vinculante, e isso rendeu o direito de fazer a primeira oferta, além de preferência para precificar e igualar quaisquer outras. A aprovação ainda passará pelo crivo do Conselho Deliberativo do Vasco e depois pela Assembleia Geral Extraordinária (AGE). O clube projeta, até o fim de outubro, a resolução dos trâmites burocráticos e celebração do novo acordo. O valor coloca a nova operação do Vasco no contexto dos grandes negócios envolvendo Sociedades Anônimas do Futebol no Brasil, estrutura que foi aprovada em lei de 9 de agosto de 2021. Ao longo dos últimos anos, clubes como Atlético-MG, Bahia, Botafogo e Cruzeiro também fecharam acordos com investidores que envolveram centenas de milhões de reais, incluindo aportes no futebol e herança de dívidas dos tempos de modelo associativo. Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte. Veja os valores das principais SAFs do Brasil: Atlético-MG. A SAF do Atlético-MG foi adquirida pela Galo Holding, que ficou com 75% das ações em novembro de 2023. A operação foi estruturada em R$ 913 milhões, sendo parte do valor destinada à conversão de dívidas e outra em novos recursos para alavancagem do projeto. Na conclusão do negócio, R$ 500 milhões foram depositados inicialmente. Bahia. O Grupo City adquiriu 90% da SAF do Bahia em maio de 2023 e assumiu o compromisso de investir R$ 1 bilhão em até 15 anos. O acordo, por prazo determinado de 90 anos, prevê o mínimo de R$ 500 milhões para a compra de jogadores; R$ 300 milhões para o pagamento de dívidas e R$ 200 milhões para infraestrutura, categorias de base, capital de giro e outros gastos da operação. Vasco (777). Antes da proposta de Lamacchia, o Vasco havia vendido 70% da SAF para a 777 Partners por R$ 700 milhões, em 2022, quando o clube ainda lutava para retornar à elite do futebol brasileiro. A negociação previa que a empresa estadunidense pagaria R$ 700 milhões pelo percentual da empresa, além da dívida de cerca de R$ 1 bilhão. Em maio de 2024, no entanto, o clube associativo, presidido por Pedrinho, conseguiu uma liminar na Justiça para afastar a empresa americana do comando da SAF. A Justiça acatou a denúncia de gestão temerária, graves problemas em negócios no exterior e o descumprimento de obrigações contratuais, como aportes no futebol e pagamento de dívidas. No início de setembro deste ano, as partes envolvidas encerraram o litígio, com a 777 declarando à Justiça do Rio que não era contrária à venda das ações para Marcos Lamacchia. Botafogo. John Textor adquiriu 90% da SAF do Botafogo no início de 2022 com a Eagle Football. O acordo previa inicialmente R$ 400 milhões em investimentos, além da dívida do clube, também na casa de R$ 1 bilhão, enquanto o primeiro aporte realizado na conclusão da operação foi de R$ 100 milhões. Antes disso, To então dono do Crystal Palace, da Inglaterra, já havia repassado outros R$ 50 milhões ao clube em um empréstimo-ponte, para garantir fluxo de caixa e preparar o terreno para o novo modelo de gestão. Ao longo dos anos, a gestão da Eagle, com Textor à frente, ruiu. Ele passou sua participação no Palace, viu o Lyon enfrentar grave crise financeira e o Botafogo, campeão da Libertadores em 2024, se afundar com novos débitos urgentes. O empresário deixou o clube no primeiro semestre deste ano, e o associativo, do presidente João Paulo Magalhães, já encaminhou a venda das ações para a GDA Luma, do empresário mexicano Gabriel de Alba. Cruzeiro. Ronaldo adquiriu 90% da SAF do Cruzeiro em abril de 2022. O acordo previa R$ 400 milhões em investimentos, mas o primeiro aporte estabelecido foi de R$ 50 milhões, com outros R$ 350 milhões previstos conforme as condições do contrato. Ele vendeu sua participação majoritária na Raposa em abril de 2024 para o empresário Pedro Lourenço (Pedrinho BH), que comanda o clube mineiro desde então. Considerando especificamente o primeiro dinheiro colocado na operação, os valores documentados foram: [Tabela de valores]. Os números não são diretamente equivalentes. Em alguns casos, o valor divulgado corresponde ao investimento total previsto no contrato; em outros, há uma diferença entre o compromisso total e o dinheiro efetivamente colocado no início da operação. No caso do Vasco de Lamacchia, os cerca de R$ 3 bilhões considerados na operação também reúnem diferentes obrigações financeiras. Por isso, o número não deve ser tratado como um aporte inicial único destinado exclusivamente ao futebol.


