China vai investigar se IAs nacionais 'copiaram' rivais dos EUA

O órgão regulador da internet na China abriu uma investigação formal contra duas empresas nacionais de inteligência artificial (IA). Elas são acusadas de cópia e usar serviços de uma rival estadunidense de forma potencialmente perigosa. O caso foi revelado por uma reportagem do site The Information. Segundo a matéria, os nomes envolvidos são a Moonshot, responsável pelos modelos de linguagem Kimi, e a DeepSeek. As investigações começaram depois de uma denúncia da Anthropic, a dona do chatbot Claude. Ela acusou sete companhias chinesas de usarem a plataforma de forma irregular e para fins suspeitos — incluindo até para criar um sistema de vigilância para autoridades policiais. Representantes das empresas, que inicialmente incluíam também Alibaba e Xiaomi, foram chamadas para uma reunião. A lista foi então reduzida para duas companhias, que tiveram executivos e funcionários entrevistados dentro dos próprios escritórios. A acusação da Anthropic é uma ramificação de um relatório divulgado em setembro pela companhia. No documento, ela revelou vários usos nocivos e criminosos que foram barrados pela plataforma, inclusive de origem chinesa. Uma das ações denunciadas é o processo conhecido como destilação. Nele, um modelo de linguagem de menor capacidade “treina” a partir de múltiplos prompts enviados de forma massiva para um concorrente de maior base de dados, registrando e absorvendo esses conhecimentos e respostas para si mesmo; As duas companhias chinesas também teriam “terceirizado” pedidos de usuários para que eles fossem processados pelo próprio Claude, sem avisar o público de que isso teria acontecido. No caso da Moonshot, foram mais de 23 milhões de acessos desse tipo só entre maio e julho de 2026. A China considera que esse tipo de ação é perigoso por envolver o possível envio de documentos sigilosos de empresas e organizações públicas ou militares para plataformas de origem estadunidense. Os EUA, por outro lado, acusam o país asiático de cópia — sendo que Elon Musk, dono do Grok, até já admitiu que usou destilação no próprio modelo. O órgão regulador chinês ainda não finalizou o processo de investigação e nem decidiu se vai ou não punir as empresas responsáveis. Até agora, elas não se manifestaram oficialmente sobre o caso. O momento atual é de tensão entre os dois países no campo da IA. O encontro marcado entre Donald Trump e Xi Jinping para esta semana deve definir novas diretrizes dessa indústria, enquanto ambos os lados não estão dispostos a desacelerar investimentos em modelos de ponta por motivos de segurança. Por que Trump quer mudar o nome da IA em documentos oficiais do governo? Entenda o posicionamento nesta matéria. /Com informações de The Information.

