Jardim enaltece vitória do Flamengo em Quito, mas diz: 'Passo importante, não decisivo'

O Flamengo voltou melhor para o segundo tempo e venceu o Independiente del Valle por 2 a 0 na noite desta quinta-feira (10), pelo primeiro confronto das quartas de final da Libertadores. Após a partida em Quito, no Equador, o técnico Leonardo Jardim enalteceu a atuação e a vitória, mas ponderou que o resultado não significa a classificação. — Nós tivemos alguma dificuldade na primeira parte. Pelo jogo, pela altitude e pela velocidade da bola, mas principalmente pela dinâmica. O adversário conseguiu ter mais a bola, conseguiu fazer mais triangulações. E nós tivemos menos a bola. Sabíamos que ia ser um teste difícil. Não é por acaso que, de 2020 até hoje, o Flamengo empatou e perdeu duas vezes aqui. É sempre um jogo difícil — iniciou Leonardo Jardim, técnico do Flamengo. — No segundo tempo, falamos que o adversário ia diminuir um pouco a intensidade e a gente ia ter um pouco mais a bola. Tendo mais a bola, estamos mais dentro do que é o nosso jogo e as nossas dinâmicas. Foi isso que aconteceu. Acabamos sendo superiores na segunda parte, fizemos os dois gols de forma justa. Demos um passo importante, não decisivo, na eliminatória — completou o treinador. As equipes voltam a se enfrentar no dia 17 de setembro, na próxima quinta-feira, pelo jogo de volta. O Flamengo conta com os dois gols de vantagem para buscar a vaga. O técnico do Flamengo foi questionado se considera o seu time o grande favorito ao título. Jardim não desconversou e foi sincero. O pensamento é um só: jogo a jogo. — Em relação a favoritos, com certeza que o campeão do ano anterior é sempre um favorito. Mas vocês sabem da dificuldade de conquistar duas vezes a Libertadores. Por isso, a gente tem que pensar jogo a jogo, ter maturidade e saber que somente com intensidade de trabalho e um grupo forte é que a gente consegue chegar ao fim — resumiu o treinador. "O treinador tenta não atrapalhar. Em primeiro lugar, quero que a equipe seja competente, equilibrada, jogue para ganhar independentemente dos 11 que começar, ou são os que vão ajudar. Os que entraram ajudaram muito. A segunda parte foi boa também graças aos que entraram no jogo. Falei com os jogadores: "os adversário pode ter um ritmo alto no início, mas na segunda parte, se a gente entrar com 3 ou 4 jogadores e refrescar, eles não conseguem aguentar os 90 minutos". Em relação a isso, vou ser repetitivo, vocês sabem que a gente treinou com 10 jogadores ou 11, e andavam os outros jogadores nos Estados Unidos jogando outros sem jogar. E quando eles vieram tivemos que integrá-los ao mesmo tempo. Com certeza, não estavam em forma." "Eu disse que quando tivéssemos um período para treinar, e depois desses jogos tivemos um período para treinar, o time melhorou. Aqui no Brasil não se acredita no treino. Acreditam que o jogador tem que jogar. Se tiver de férias, não interessa, tem que jogar. Eu acredito no treino porque venho de uma escola que precisa acreditar no treino. No projeto, planejamento, empenho. Não acredito no aparecimento esporádico das coisas. Um bom jogador tem que treinar bem. "Ah, o Ayrton está melhor, o Lino está melhor". Isso é um processo. Eles treinam. Se eles não treinassem, não estariam tão bem." (A escalação) ideal para este jogo foi esta. Com o Bruno na frente, Arrascaeta, Lino e Carrascal. A ideal do último jogo (contra o Remo) já não foi esta, foi outra, e contra o Corinthians vai ser outra. O importante é que nossos jogadores mostrem suas capacidades. Digo isso todas as semanas aos meus jogadores: quando se levantam troféus, o troféu não leva o nome dos jogadores. Quem é que marcou ou não, quem jogou mais ou menos. No troféu, vem "ganhou tal equipe". Quando ganhamos algo no nosso currículo, ganhamos todos, por isso temos que lutar todos pelos objetivos da equipe. Todos no nosso elenco são de qualidade, por isso conto com todos em todos os momentos da temporada. Alguns por um motivo ou outro jogam menos, o que é normal. Mas conto com eles porque será necessário que todos mostrem qualidade, empenho e coletividade. "Em relação ao Plata, fiquei feliz por ele não ter saído porque é um jogador de muita intensidade, agressivo na procura da bola. É um jogador que dá dinâmica diferente dos outros, hoje deu dinâmica diferente do Carrascal no corredor. Por isso, fico satisfeito de ter essa opção, por ser um jogador competitivo e por estar conosco até o fim da temporada para ajudar-nos nos objetivos."


